
A Universidade dos Açores acolheu, nos dias 26 e 27 de outubro, o colóquio “A Autonomia Açoriana no Portugal Democrático: Balanço e Perspetivas”, uma iniciativa que assinalou os 50 anos da autonomia dos Açores e reuniu investigadores e especialistas para refletir sobre o percurso autonómico da Região, as suas conquistas e os desafios que se colocam no futuro.
Promovido pelo CHAM Açores – Centro de Humanidades (FCSH NOVA / UAc), em parceria com a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, o encontro decorreu na Universidade dos Açores, em Ponta Delgada, ao longo de dois dias dedicados ao debate das diferentes dimensões da autonomia regional.
A sessão solene de abertura contou com a participação da reitora da Universidade dos Açores, Susana Mira Leal, da diretora do CHAM Açores, Susana Serpa Silva, e do presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, Luís Garcia.
Marcelo Rebelo de Sousa participou no encontro com um testemunho pessoal. O antigo presidente da República afirmou que “a posição estratégica dos Açores ganhou uma importância brutal”, salientando que a centralidade atlântica dos Açores “é um trunfo e deve ser aproveitado”.
Na sua intervenção, Susana Mira Leal destacou o significado de o colóquio decorrer na Universidade dos Açores, instituição que, à semelhança da autonomia regional, celebra este ano cinco décadas de existência. A reitora salientou que a Universidade nasceu e cresceu em paralelo com o regime autonómico, desempenhando um «papel incontornável e um contributo determinante» nas transformações sociais, económicas, científicas e culturais da Região.
Entre os contributos da instituição, destacou a qualificação dos açorianos e a formação de quadros, a valorização do património natural e cultural, o apoio ao desenvolvimento das instituições, empresas e comunidades e a projeção dos Açores nos contextos nacional e internacional. A reitora sublinhou ainda a importância da Universidade enquanto espaço de conhecimento, debate livre e pensamento crítico, considerando a parceria com a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores “natural, relevante e oportuna”.
A conferência de abertura esteve a cargo do antigo presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. O programa científico reuniu especialistas de diferentes instituições de ensino superior e investigação, incluindo docentes e investigadores da Universidade dos Açores, em quatro painéis dedicados às dimensões jurídica, histórica, política, económica, cultural e social da autonomia.
No segundo dia do colóquio, Susana Mira Leal participou no painel “Autonomia, Cultura, Ciência e Coesão Social”, com a comunicação intitulada “Conhecer, interpretar e antecipar – A razão de uma Universidade nos Açores”, na qual aprofundou a relação entre a Universidade e a autonomia regional.
Na sua intervenção, a reitora defendeu que o contributo da Universidade não se limita à qualificação, à produção científica ou ao desenvolvimento económico e social, refletindo-se também na capacidade da Região para exercer a sua autonomia de forma informada e fundamentada. “A Universidade não decide em nome da Região. Contribui para que a Região possa decidir melhor sobre si própria”, afirmou, salientando que o exercício autonómico exige capacidade para compreender a realidade regional, identificar necessidades, avaliar alternativas e sustentar decisões em evidências.
Olhando para o futuro, Susana Mira Leal identificou desafios como o envelhecimento da população, a diversificação económica, a transição energética, as alterações climáticas, a transformação digital e a inteligência artificial. Para lhes responder, destacou a importância do conhecimento científico, da inovação, da qualificação das pessoas e da colaboração entre a Universidade, as empresas, as instituições públicas e a sociedade civil.
A concluir, a reitora reforçou a importância do conhecimento para o aprofundamento da autonomia regional: “Uma autonomia madura exige conhecimento. Exige pensamento crítico. Exige capacidade para compreender a realidade, interpretar a sua complexidade e preparar o futuro”, sendo esta a razão para a existência de uma universidade nos Açores.
O colóquio terminou com uma sessão de encerramento que contou com as intervenções do presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, e do presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, Luís Garcia.




















