Investigador da UAc participa na plantação de espécie endémica com importância para a monitorização das alterações climáticas 

O investigador Guilherme Roxo, do CIBIO-Açores – Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos – Açores, integra uma ação de plantação do agrião-dos-Açores (Cardamine caldeirarum) no Parque Terra Nostra, nas Furnas, em São Miguel.

Endémica dos Açores, esta espécie desempenha um papel relevante na monitorização dos impactos das alterações climáticas, devido à sua elevada sensibilidade às variações de humidade e temperatura. Desenvolvendo-se apenas em habitats muito específicos, constitui um importante indicador do estado de conservação destes ecossistemas.

Segundo Guilherme Roxo, cujos principais interesses de investigação incidem sobre a taxonomia, ecologia, evolução e conservação das plantas endémicas da Macaronésia, “é uma espécie sentinela, ou seja, vai dar-nos a indicação de que algo de errado está a acontecer na natureza. Desenvolve-se em locais muito específicos, muito húmidos, relativamente frescos e com passagem constante de água.”

As sementes desta espécie foram recolhidas em São Miguel e enviadas para o Jardim Botânico do Faial, onde decorreu o processo de germinação. Após o seu regresso à ilha de São Miguel para plantação, foi possível observar os efeitos das alterações climáticas sobre a espécie. “O clima neste momento está muito quente e as plantas também não estavam no local mais favorável”, refere o investigador, sublinhando a importância da preservação dos habitats naturais desta espécie.

Guilherme Roxo destaca ainda que estes habitats altamente especializados desempenham um papel essencial na retenção e regulação da água. A sua degradação ou substituição por espécies menos adaptadas pode comprometer esse equilíbrio natural, com consequências que vão além da conservação da biodiversidade.

“É muito importante preservar os habitats desta espécie, que são altamente especializados em reter água. Se os substituirmos através da introdução de espécies que não têm a mesma capacidade para reter e libertar a água lentamente, estaremos a perder um mecanismo natural de proteção, não só das espécies, mas também os próprios bens das pessoas, sendo mais comum as derrocadas e as cheias”, alerta.

A plantação do Cardamine caldeirarum representa, assim, mais um contributo para a conservação da flora endémica dos Açores e para o reforço do conhecimento científico sobre a resposta dos ecossistemas insulares às alterações climáticas.