Investigação da UAc transforma espécie invasora em solução para reduzir metano 

A Universidade dos Açores (UAc) está a desenvolver investigação sobre a utilização de algas invasoras na alimentação animal como forma de reduzir as emissões de metano e contribuir para uma maior sustentabilidade agropecuária.

Uma das espécies em estudo é  uma alga invasora identificada nos Açores em 2019 e que se tem espalhado por várias zonas costeiras da região. Apesar dos impactos negativos que provoca no mar, a sua incorporação em rações poderá representar uma solução com benefícios ambientais e económicos.

“A mais preocupante como invasora é essa alga que anda em todas as nossas praias e que está também a ser alvo de estudos para a sua incorporação em rações”, explica Alfredo Borba, Professor Catedrático e Investigador da UAc.

A remoção da alga da costa poderá ajudar a minimizar os impactos no setor das pescas, nas zonas balneares e, simultaneamente, contribuir para a redução das emissões de gases com efeito de estufa na agropecuária.

Os estudos estão a ser desenvolvidos na Faculdade de Ciências Agrárias e do Ambiente da Universidade dos Açores e os primeiros resultados revelam-se promissores. Segundo Alfredo Borba, testes preliminares apontam para uma redução significativa da produção de metano: “Esta última alga que chegou aos Açores, nas primeiras 12 horas, a 5%, produz uma redução de 100%, isto é, zero produção de gás. O que provoca isso é a questão a que estamos a tentar responder”, refere o investigador.

Apesar do potencial da investigação, a falta de financiamento continua a ser um dos principais desafios. Ainda assim, este trabalho enquadra-se nas metas da Comissão Europeia, que pretende reduzir em 30% as emissões de metano até 2030.